Bap recebe apoio de presidentes de conselhos do Flamengo em meio à briga judicial com a Libra - Foto: Reprodução

Presidentes dos poderes do Flamengo assinam carta de apoio ao Bap

Flamengo fecha apoio interno a Bap em disputa com a Libra. Presidente garante permanência até 2029 e cobra revisão na divisão das receitas de TV.

O Flamengo vive um momento de união interna em meio à disputa política e financeira com a Libra — Liga do Futebol Brasileiro. Após reunião do Conselho Deliberativo na Gávea, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, recebeu apoio formal dos presidentes dos poderes do clube em defesa de sua postura firme diante da divisão dos direitos de transmissão.

A carta enviada ao presidente Bap reforça o respaldo à gestão e reconhece a relevância do tema para o futuro do clube. “O assunto envolve não apenas receitas expressivas, mas também o reconhecimento da imensa força de audiência, torcida e engajamento do Flamengo, que há anos lidera todos os indicadores de popularidade do futebol brasileiro”, diz o documento.

Carta assinada por presidentes dos poderes do Flamengo - Foto: Divulgação
Carta assinada por presidentes dos poderes do Flamengo – Foto: Divulgação

O texto também exalta a atuação da diretoria na defesa da transparência e da justiça na partilha das receitas. “A atuação firme e técnica do Conselho Diretor reafirma o papel histórico do Flamengo como protagonista na modernização e profissionalização do esporte nacional.”

Segundo os dirigentes, o clube “está apenas lutando pelos seus direitos, sem intenção de prejudicar outros, mas buscando equilíbrio e justiça no tratamento a todos”.

Bap garante Flamengo na Libra até 2029

Durante o encontro com os conselheiros no Salão Nobre da Gávea, Bap descartou qualquer possibilidade de o clube deixar a Libra. O presidente assegurou que o clube permanecerá no bloco até o fim do contrato com a Globo, em 2029, e seguirá cobrando mudanças na distribuição das receitas.

“Zero chance (de sair da Libra). Vamos conviver com esse contrato até 31 de dezembro de 2029 — e eles vão conviver com o Flamengo também até essa data”, afirmou o dirigente.

A declaração foi feita após apresentação de Marcelo Campos Pinto, representante rubro-negro na entidade, que detalhou as divergências entre o clube e os demais integrantes. O Rubro-Negro sustenta que o modelo atual prejudica diretamente o clube, sendo o único a perder dinheiro no acordo assinado em 2024, ainda sob a gestão de Rodolfo Landim.

Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, durante reunião do Conselho Deliberativo do clube - Reprodução / Flamengo TV
Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, durante reunião do Conselho Deliberativo do clube – Reprodução / Flamengo TV

Entenda o impasse com a Libra

A Libra reúne clubes do Brasileirão para negociar coletivamente os direitos de transmissão. Além do Flamengo, fazem parte Palmeiras, São Paulo, Santos, Atlético-MG, Grêmio, Bahia, Red Bull Bragantino, Paysandu e Remo, entre outros. O contrato firmado com a Globo é de R$ 1,17 bilhão anuais e tem validade até 2029.

A divisão das receitas segue três critérios:

  • 40% de forma igualitária;
  • 30% por performance, de acordo com a posição final no Brasileirão;
  • 30% por audiência, com base na exibição dos jogos.

É justamente essa última fatia que gera o embate. O Rubro-Negro contesta o cálculo da cota de audiência, argumentando que a metodologia é “incompleta” e depende de aprovação unânime, o que a tornaria inviável.

Diante disso, o clube ingressou na Justiça e obteve liminar bloqueando R$ 77 milhões que seriam repassados pela Globo aos clubes da Libra. A decisão gerou reações duras dentro do grupo, que acusou o Flamengo de agir unilateralmente. A Libra divulgou nota afirmando que o estatuto é claro quanto à divisão das receitas, enquanto o clube rebateu pedindo critérios objetivos e auditáveis.

Críticas e provocações

O conflito ganhou contornos políticos após declarações da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, que ironizou a postura rubro-negra, chamando dirigentes do clube de “terraflamistas”. Bap respondeu com ironia:

“Claro que não (o Flamengo não vai jogar sozinho). Isso são narrativas tolas. Se o Flamengo jogasse sozinh, o dinheiro que sobraria para os outros seria muito pouco. O Flamengo jogando sozinho seria um desgosto profundo para as outras 19 torcidas.”

O presidente ainda provocou adversários que sugerem criar uma nova liga sem o Rubro-Negro.

“Eu quero sair da casa dos meus pais, mas deixo as roupas para lavar e meus pais pagam os boletos. O Flamengo não vai cumprir esse papel”, disparou.

BAP, presidente do Flamengo - Foto: Reprodução
BAP, presidente do Flamengo – Foto: Reprodução

Estratégia rubro-negra e próximos passos

Bap mantém postura firme, mas estratégica: permanecer na Libra evita que os outros clubes formem consenso sem o Flamengo, reduzindo o poder de barganha do clube.

“Tentamos por nove meses um acordo e não foi possível. Espero que os outros clubes reflitam e vejam a relevância do Flamengo. O clube quer olhar para frente”, disse.

Apesar da liminar favorável, o impasse segue sem solução. A Libra tenta reverter a decisão e restabelecer os repasses, enquanto bastidores apontam até discussões sobre uma possível — e improvável — expulsão do Flamengo.

Bap reforça que o clube continuará lutando por transparência e justiça financeira, argumentando que o modelo atual não valoriza clubes de maior apelo popular e impacto comercial.

“O Flamengo é protagonista histórico na modernização do futebol e seguirá defendendo um modelo que reflita seu tamanho, sua torcida e seu peso no mercado”, concluiu.

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