Volante detalha bastidores da decisão, exalta dimensão do Flamengo, explica encaixe no modelo de jogo e chega à final da Libertadores vivendo sua melhor fase desde que voltou ao Brasil
Jorginho é, hoje, um dos pilares do Flamengo na caminhada até a final da Libertadores. Mas o roteiro poderia ter sido outro. Antes de acertar com o Rubro-Negro, o volante conversou com o Palmeiras, adversário justamente da decisão continental em Lima. Em entrevista ao GE, ele revelou os motivos que o levaram a optar pelo clube carioca, explicou como ficou impressionado ao vivenciar o ambiente rubro-negro de perto e detalhou por que acredita que seu estilo se encaixou perfeitamente às ideias de Filipe Luís.
A primeira motivação, segundo o próprio jogador, foi direta e simples: a grandeza do Flamengo. Embora já tivesse noção do tamanho do clube ainda na Europa, Jorginho afirma que só percebeu a real dimensão quando pisou no Rio durante uma folga enquanto estava no Arsenal.
“Acredito que a grandeza do Flamengo fala por si só. Então a resposta principal é pelo tamanho do Flamengo e pelo quanto eu queria voltar ao Brasil para ter a minha primeira experiência aqui estando bem, podendo performar, podendo dar alegria para a torcida”, disse o volante.

Mesmo acostumado a ambientes de alta pressão e grandes clubes — sendo campeão da Champions e da Euro —, Jorginho admite ter ficado surpreso. O que era enorme “na teoria” tornou-se gigantesco quando vivido por dentro.
“Você sabe a grandeza do Flamengo, mas vivendo tanto tempo fora… acredito que quem está lá fora não tem noção do quão grande é. Você precisa vir aqui, viver essa experiência, e aí passa a ter noção. Já era grande na minha cabeça, mas vivendo eu falei: ‘Caramba, é realmente mais do que eu imaginava’.”
A visita ao Rio que mudou tudo
A viagem ao Rio durante a Data Fifa, ainda em março, teve peso determinante. À época, Jorginho já conversava com o Flamengo. Mas o que consolidou a decisão foi o ambiente da cidade — e, sobretudo, a reação de Catherine Harding, sua esposa, que aprovou imediatamente a ideia de viver no Brasil.
A adaptação familiar foi decisiva, mas não foi o único fator. O volante também revelou a forte influência de Filipe Luís, cujas ideias de jogo ele já acompanhava à distância. Jorginho afirmou que enxergava no modelo do técnico uma sintonia natural com suas características.
“Acredito que as ideias e o que ele acredita condizem muito com as minhas características. Encaixou certinho. Não iria me buscar se não jogasse de uma maneira que se encaixa com o que posso entregar.”

Conversa com o Palmeiras existiu
Jorginho confirmou que conversou com o Palmeiras, que avaliava sua chegada para quando seu contrato com o Arsenal se encerrasse. O volante foi oferecido ao clube paulista e chegou a trocar informações com a diretoria alviverde.
“Teve conversa. Conversei com o Palmeiras, como conversei com outras equipes. Não teve um motivo de não ir para lá. As conversas vão acontecendo… e você chega a uma decisão.”
A decisão, agora consumada, fez o volante desembarcar no Ninho do Urubu em junho e rapidamente se tornar peça-chave no elenco.

Melhores números que no Arsenal e 100% de aproveitamento nos pênaltis
Em poucos meses, Jorginho superou sua produção ofensiva inteira no Arsenal. No Flamengo, acumulou quatro gols e três assistências em 26 jogos. Além disso, virou o batedor oficial de pênaltis, convertendo as seis cobranças que fez com a camisa rubro-negra.
O histórico na carreira também impressiona: 47 acertos em 55 cobranças, com aproveitamento de 86%. E quando perguntado sobre uma possível cobrança na final da Libertadores, ele manteve a calma característica:
“Com tranquilidade, sim. Se será do mesmo jeito, já não sei. Preciso estudar o momento, o goleiro… aí vamos ver.”

A decisão em Lima fecha o ciclo da escolha
Meses depois da decisão de escolher o Flamengo, Jorginho chega à maior partida de sua trajetória no Brasil. E o destino reservou justamente o Palmeiras, clube com quem conversou antes de definir sua volta ao país.
Se a grandeza do Flamengo foi determinante na escolha, agora ela pode ser determinante em seu primeiro grande título pelo clube — e talvez o mais importante do continente.

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