Flamengo sofre dois gols nos minutos finais e transforma uma vitória tranquila em sinal de alerta para a reta decisiva do Brasileirão.
Se o placar final de 3 a 2 sobre o Santos mostrasse apenas o resultado, a impressão seria de uma vitória disputada. Mas o que se viu no Maracanã, na noite de domingo, foi um Flamengo dominante, intenso e técnico — que, no entanto, voltou a cometer o erro que vem rondando a equipe nas últimas rodadas: o relaxamento na reta final. O time de Filipe Luís, que chegou a abrir 3 a 0 e poderia ter goleado, sofreu dois gols nos minutos finais e encerrou a partida com uma sensação agridoce.
O triunfo, que mantém o Rubro-Negro empatado com o Palmeiras na liderança do Brasileirão (68 pontos, com uma vitória a menos), trouxe lições valiosas para a sequência da temporada. A principal delas: atenção até o último segundo.

Um Flamengo com senso de urgência
Diferente das partidas anteriores, o Flamengo iniciou o jogo contra o Santos com um senso de urgência que há tempos não se via. Após um primeiro tempo equilibrado, em que Léo Pereira abriu o placar aos 36 minutos, a equipe voltou do intervalo com postura avassaladora.
O time empilhou chances, sufocou o adversário e chegou ao segundo gol logo no início da etapa final, após bela jogada entre Arrascaeta e Carrascal. Com 2 a 0 no placar e domínio total, a torcida rubro-negra parecia assistir a uma vitória tranquila — ainda mais quando o pênalti sofrido por Bruno Henrique deu a chance de ampliar. Mas o meia uruguaio desperdiçou a cobrança, e o roteiro começou a mudar.

Mesmo assim, o Flamengo seguia superior. Filipe Luís promovia alterações táticas inteligentes, buscando rodar o elenco e preservar titulares. Everton Cebolinha voltou de lesão, Michael e Evertton Araújo entraram para dar fôlego, e o time controlava o jogo.
Mas bastaram dois minutos de desatenção para o roteiro se inverter. Quando o relógio marcava 43, o Santos aproveitou espaços na defesa flamenguista e marcou duas vezes em sequência, transformando um 3 a 0 seguro em um perigoso 3 a 2.
Do controle ao susto
A tensão tomou conta do Maracanã. A torcida, traumatizada por recentes apagões, viu novamente o time vacilar em momentos decisivos. O Flamengo conseguiu se recompor e segurar o resultado nos acréscimos, mas o recado estava dado: não há mais margem para vacilos.
— “Tomamos dois gols de forma infantil. Cada jogo tem um contexto, mas o importante é que os jogadores deem valor para não tomar gol do mesmo jeito que eu prezo”, analisou Filipe Luís após o apito final.

Defesa sob observação
O técnico tem razão em ligar o sinal de alerta. Nos últimos dois jogos do Brasileirão, o Flamengo sofreu quatro gols — número que, embora pequeno, é significativo para uma equipe que havia tomado apenas 16 nas 30 rodadas anteriores.
O desempenho defensivo, até então o melhor do campeonato, caiu de rendimento. Parte disso se deve à alternância de duplas de zaga: nas últimas sete partidas, Filipe usou Léo Pereira e Danilo em quatro delas (com cinco gols sofridos), e Léo Pereira e Léo Ortiz em outras três (com dois gols).
Na entrevista durante a zona mista, Ayrton Lucas, lateral titular, reconheceu o problema:
— “A gente acabou ficando desligado ali, mas já conversamos. Tem que ter atenção, trabalhar e não deixar acontecer no próximo jogo”, afirmou.
Apesar do alerta, o Flamengo segue dono da melhor defesa do Brasileirão, com 20 gols sofridos — à frente de Cruzeiro (22), Palmeiras e Botafogo (28).
Data Fifa e lições para o futuro
A pausa para a Data Fifa chega em boa hora. Assim como no último intervalo internacional, Filipe Luís pretende usar o período para reforçar conceitos e corrigir comportamentos. “É momento de recuperar jogadores e ajustar detalhes”, tem dito o treinador nos bastidores.
No entanto, o descanso não será completo: o Flamengo ainda enfrenta o Sport, no sábado, em jogo atrasado da 12ª rodada, antes de encarar o Fluminense no clássico do dia 19. Depois, vêm Bragantino e Atlético-MG — sequência que pode decidir o título.

Um recado para a reta final
Mesmo com os sustos, a vitória sobre o Santos mostrou um Flamengo com poder de reação, intensidade e brilho técnico — especialmente de Arrascaeta, que novamente comandou o time com maestria. O camisa 10 foi decisivo, embora tenha desperdiçado um pênalti e recebido o terceiro amarelo que o suspende diante do Sport.
A equipe mostrou força, mas também vulnerabilidade. Os erros de desatenção custaram caro e precisam ser eliminados para que o Rubro-Negro mantenha o sonho do título. Afinal, como sintetizou a própria atuação de domingo, a diferença entre a glória e o susto pode estar em dez minutos de distração.

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