Flamengo vive seu pior momento defensivo sob o comando de Filipe Luís e vê interrogações crescerem a poucos dias da decisão continental.
O Flamengo entrou no Fla-Flu carregando uma pressão silenciosa, mas crescente, que se mistura à expectativa da reta final do Brasileirão e à proximidade da decisão da Libertadores. O empate do Palmeiras na rodada parecia o cenário perfeito para o líder disparar novamente. Mas, no Maracanã, o Rubro-Negro viveu um dos seus piores primeiros tempos do ano, sucumbindo ao Fluminense por 2 a 1 e exibindo, de maneira escancarada, falhas de planejamento que se arrastam desde o início da temporada.
A partida serviu como raio-x de um Flamengo que, embora siga líder, perde desempenho, confiança e solidez no momento mais crítico possível. Com uma postura apática, sem senso de urgência e com setores completamente desconectados, o time de Filipe Luís sofreu um verdadeiro massacre no primeiro tempo — e só não saiu de campo com um placar ainda mais pesado graças à falta de capricho do rival nas finalizações.
Falhas no ataque e defesa voltam a assombrar
A ausência de Pedro continua sendo o maior enigma ofensivo do Flamengo. Sem seu principal finalizador, o time perde referência, profundidade e poder de definição. No Fla-Flu, Bruno Henrique voltou a ser improvisado como referência, mas novamente ficou devendo, apagado e sem impacto. Juninho, acionado no segundo tempo, tampouco justificou a entrada, se mostrando precipitado e cometendo erros de posicionamento — ainda que tenha participado da jogada que gerou o pênalti convertido por Jorginho.

No entanto, se o ataque não funcionou, a defesa foi ainda mais problemática. Com lacunas escancaradas pela falta de planejamento, o setor vive seu momento mais instável na temporada. A situação ficou tão crítica que um garoto de 18 anos, João Victor, acabou carregando uma responsabilidade que Filipe Luís tentou evitar a todo custo ao longo do ano.
A decisão de manter o jovem como titular contra o Flu foi fruto de circunstâncias: Danilo, convocado para a Seleção, tinha jogado 45 minutos na véspera, em Paris. Ele até correu direto para o Maracanã após pousar no Rio, mas o clube avaliou como prudente deixá-lo no banco. Aos 18 anos, João Victor sentiu o peso do clássico: nervosismo, erros técnicos e participação direta nos gols sofridos.
Mais uma vez, ficou evidente que o Flamengo não planejou adequadamente sua zaga. Enquanto equipes do mesmo patamar contam com quatro ou cinco zagueiros experientes, o Rubro-Negro seguiu toda a temporada com apenas três: Léo Ortiz, Léo Pereira e Danilo. E, mesmo assim, as decisões de mercado priorizaram outras posições.
Um primeiro tempo para esquecer
O primeiro tempo do Flamengo foi caótico. O lado direito da defesa virou um buraco, com Royal muito avançado, Luiz Araújo centralizado e João Victor exposto. Pulgar tentou cobrir, atuando quase como um terceiro zagueiro, mas não deu conta.
Sem um meia criativo, o time também perdeu mobilidade no meio-campo. Saúl viveu sua pior noite desde que voltou de lesão, errando quase tudo. Carrascal oscilou demais, Samuel Lino viveu mais uma atuação frustrante e Bruno Henrique permaneceu isolado na referência. O time girava a bola, mas sem objetividade, enquanto o Fluminense encontrava espaços generosos sempre que atacava.
Aos 24 minutos, Lucho Acosta abriu o placar com total liberdade na intermediária. Depois, uma sequência bizarra de erros culminou no segundo gol: João Victor recuou mal e Rossi, em falha infantil, perdeu a bola para Serna. O goleiro tentou minimizar o impacto cumprimentando o zagueiro, mas o estrago já estava feito.

Melhora insuficiente e alerta máximo
Filipe Luís fez algo raro: mexeu no intervalo. As entradas de Danilo e Juninho deram mais energia ao time, mas por pouco tempo. A verdadeira melhora veio aos 12 do segundo tempo, com a entrada de Cebolinha, hoje um dos jogadores mais decisivos do elenco. O camisa 11 pediu passagem com mais uma atuação participativa, aguda e competitiva — enquanto Lino vive fase oposta.
Ainda assim, mesmo com mais ímpeto ofensivo, o Flamengo continuou desorganizado. Apostou em bolas alçadas e insistiu em jogadas pouco trabalhadas. Jorginho qualificou o meio ao entrar, mas a reação esbarrou na própria instabilidade emocional da equipe.
Nem o gol de pênalti, convertido por Jorginho, foi suficiente para gerar uma pressão final. O líder do campeonato não conseguiu sequer produzir um volume ofensivo digno de quem busca o empate em clássico decisivo.

Defesa liga alerta: 7 gols sofridos em 4 jogos
O Fla-Flu também acendeu um novo — e perigoso — alerta: a defesa, antes a melhor do Brasileirão, agora vive sua pior fase. Com sete gols sofridos nos últimos quatro jogos, o time perdeu a liderança do ranking defensivo para o Cruzeiro.
A queda coincide diretamente com a ausência de Léo Ortiz, que se recupera de um estiramento no tornozelo. Sem ele, o time perdeu a saída de bola qualificada, o posicionamento e a segurança nas coberturas. Filipe testou Danilo e Léo Pereira, mas com a convocação do Danilo para a Seleção, restou ao clube improvisar com atletas da base, sem ritmo e sem minutagem.
Reta final tensa
Apesar da derrota, o Flamengo segue líder, com 71 pontos, dois a mais que o Palmeiras. O desafio agora é estancar a sangria defensiva, reorganizar o ataque sem Pedro e recuperar a confiança — tudo isso às vésperas da final da Libertadores, no dia 29.
O próximo capítulo será no sábado, contra o Bragantino, novamente no Maracanã. E, pela primeira vez na temporada, o Rubro-Negro chega à rodada com mais perguntas do que respostas.

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