Filipe Luís conquista títulos, mantém alto aproveitamento e se torna o primeiro treinador a completar um ano no cargo desde Jorge Jesus
O Flamengo vive um momento raro em sua recente história: estabilidade no comando técnico. Filipe Luís completou nesta terça-feira (30) um ano à frente do time profissional e se tornou o primeiro treinador a atingir essa marca desde Jorge Jesus, em 2020. Em meio a um cenário de nove técnicos em cinco anos, o ex-lateral transformou uma aposta em um projeto sólido, conquistou três títulos e alcançou o melhor aproveitamento de um treinador desde o trabalho do português.
Efetivado em setembro de 2024, após a saída de Tite, Filipe Luís soma 70 partidas, com 46 vitórias, 17 empates e apenas sete derrotas — um aproveitamento de 73,8%. Os números superam todos os treinadores que passaram pelo clube nos últimos anos e só ficam atrás do índice histórico de Jorge Jesus, que registrou 81,6%. Até o momento, Filipe já conquistou o Campeonato Carioca, a Copa do Brasil e a Supercopa, consolidando o Flamengo como protagonista novamente no cenário nacional.
Filipe Luís: De aposta a certeza
Quando assumiu o comando, Filipe Luís era visto como solução caseira em um momento delicado. O Flamengo havia sido eliminado da Libertadores e precisava de alguém que conhecesse o ambiente interno. A escolha se mostrou certeira. Logo no primeiro mês, ele conquistou a Copa do Brasil e, desde então, coleciona resultados consistentes.
A continuidade, porém, não foi imediata. A troca na presidência do clube, no fim de 2024, deixou em aberto sua permanência. O novo diretor de futebol, José Boto, avaliou outros nomes, mas decidiu manter o treinador após uma primeira reunião considerada positiva. A decisão se provou acertada: em 2025, Filipe já conquistou mais dois títulos e mantém o time líder do Campeonato Brasileiro, além de estar classificado para a semifinal da Libertadores.

Um técnico com identidade rubro-negra
Jogador do Flamengo entre 2019 e 2023, Filipe Luís conhece a pressão e a grandeza do clube como poucos. Bicampeão da Libertadores e do Brasileirão como atleta, ele carrega identificação com a torcida e traduz esse vínculo em suas decisões como treinador.
No último ano, o comandante não se esquivou de escolhas difíceis. Deixou promessas como Lorran e contratações caras, como o argentino Alcaraz, fora dos planos, aprovou a venda de Fabrício Bruno e defendeu a valorização de atletas experientes, como Gerson e Varela. Também pediu a contratação de Rodrigo Caio para integrar sua comissão técnica, reforçando a ideia de um trabalho construído em parceria com quem conhece a realidade rubro-negra.
Além da firmeza nas decisões internas, Filipe Luís adotou uma postura transparente com imprensa e torcida. Não fugiu de polêmicas e chegou a criticar publicamente Pedro por rendimento insatisfatório nos treinos. As palavras surtiram efeito: o atacante reagiu em campo e voltou a ser decisivo.

Os protagonistas em campo
Se o trabalho fora das quatro linhas chama atenção, dentro delas os resultados são ainda mais expressivos. Sob comando de Filipe Luís, Arrascaeta assumiu o protagonismo esperado de um camisa 10. Em 2025, o uruguaio é o principal artilheiro e garçom do time, com participação em 34 gols — 21 marcados e 13 assistências.
Na defesa, a consistência tem nome. O goleiro Rossi é o jogador com mais minutos em campo desde a chegada do treinador, seguido de perto pela dupla de zaga formada por Léo Ortiz e Léo Pereira, pilares do sistema defensivo. A solidez atrás permitiu que o Flamengo tivesse média menor de gols sofridos em 2025 em comparação ao ano anterior.
Estabilidade e futuro
O bom momento colocou Filipe Luís em evidência até fora do Brasil. O treinador recusou recentemente uma proposta do Fenerbahçe, da Turquia, e reiterou o desejo de seguir no Flamengo. “Estou muito feliz, espero ficar muito tempo. Para isso, tenho que conquistar o dia a dia e continuar fazendo história”, declarou durante a homenagem em que recebeu uma placa comemorativa pelo aniversário de um ano como técnico.
A diretoria já trabalha para garantir a continuidade. O contrato atual termina em dezembro, mas a renovação é considerada prioridade. Nas próximas semanas, durante a pausa para a Data Fifa, o clube deve avançar nas conversas para estender o vínculo até 2026, com valorização salarial significativa.

Um ciclo diferente
Desde a saída de Jorge Jesus, o Flamengo não tinha um projeto técnico duradouro. Domènec Torrent, Rogério Ceni, Renato Gaúcho, Paulo Sousa, Dorival Júnior, Vítor Pereira, Jorge Sampaoli e Tite não resistiram à pressão e às oscilações. Filipe Luís quebrou esse ciclo, trouxe estabilidade e recolocou o clube no caminho de conquistas.
Se será capaz de repetir o sucesso de Jorge Jesus, só o tempo dirá. Mas, após um ano de trabalho, Filipe Luís já entrou para a história como o treinador que devolveu ao Flamengo a confiança em um projeto esportivo contínuo.

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