Flamengo vence o Estudiantes por 2 a 1, mas sai do Maracanã revoltado com árbitro que aplicou uma expulsão absurda. Veja análise do jogo e polêmica.
O Flamengo viveu uma noite de contrastes no Maracanã. Avassalador nos primeiros minutos, o time abriu 2 a 0 em apenas oito minutos e parecia encaminhar uma vitória tranquila. No entanto, perdeu oportunidades para ampliar, caiu de rendimento na etapa final e viu o Estudiantes diminuir já nos acréscimos, deixando a disputa das quartas de final da Libertadores em aberto. Mais do que o placar, porém, o que tomou conta do noticiário foi a arbitragem desastrosa de Andrés Rojas, acusada de prejudicar o Rubro-Negro com lances decisivos e gerar revolta generalizada no clube.
Flamengo arrasador no início, mas pouco eficiente no desfecho
Logo aos 15 segundos, o Maracanã explodiu. Pedro fez o pivô, recebeu de volta, girou sobre a marcação e abriu o placar em jogada relâmpago. A pressão não parou por aí. Aos oito minutos, Varela aproveitou cruzamento preciso de Ayrton Lucas e, de voleio, marcou o segundo. Um começo de jogo que lembrava os melhores momentos do Flamengo dos últimos anos, com intensidade, triangulações e amplo domínio.

O primeiro tempo foi um retrato do potencial rubro-negro na temporada. Com 66% de posse de bola e dez finalizações, a equipe de Filipe Luís controlou todas as ações e ainda desperdiçou chances claras. Pedro quase ampliou em nova jogada de Arrascaeta, Samuel Lino carimbou chute perigoso e Plata tentou uma cavadinha ousada que saiu por pouco. O 2 a 0 no intervalo parecia até pouco diante do volume de jogo.
Na etapa final, porém, o cenário mudou. O Flamengo voltou agressivo, mas perdeu oportunidades com Lino e Plata. Aos poucos, a intensidade caiu, as substituições não surtiram efeito e o Estudiantes cresceu. O castigo veio nos acréscimos: após expulsão de Plata, os argentinos se lançaram ao ataque e Carrillo marcou o gol que deixou a eliminatória viva.
A polêmica que incendiou o Maracanã
Se a análise tática aponta para um Flamengo que poderia ter liquidado o confronto, a narrativa da noite ficou marcada pela arbitragem. O equatoriano Gonzalo Plata foi expulso de forma polêmica aos 36 do segundo tempo, em lance no qual recebeu um chute do adversário, mas acabou punido com o segundo cartão amarelo e o vermelho. O episódio revoltou jogadores, diretoria e comissão técnica.
O diretor de futebol José Boto não poupou críticas:
“Acho que é escandaloso, vergonhoso, na maior competição da América do Sul, nós continuarmos assistindo a coisas assim. Um pênalti em nosso favor que é transformado na expulsão do Plata, um gol deles em que a bola bate no braço, e ainda a diferença na aplicação dos cartões. Foi um escândalo o que se passou ali dentro”, disparou.

O técnico Filipe Luís foi ainda mais incisivo. Em entrevista coletiva, acusou o árbitro de “querer ser protagonista” e pediu que Rojas não apite mais jogos da Libertadores:
“A arrogância e a prepotência do senhor Andrés levaram com que várias famílias saíssem daqui prejudicadas. Um trabalho todo sendo prejudicado por um árbitro protagonista”.
Até o próprio Plata se manifestou, usando as redes sociais para ironizar a decisão e cobrar a atuação do VAR, que não interferiu na jogada.

Outros lances contestados
A revolta do Flamengo não se restringiu à expulsão. A diretoria questionou também um possível toque de mão no gol do Estudiantes, ignorado pela arbitragem, e a falta cometida por Farías em Arrascaeta ainda no primeiro tempo. O jogador argentino já tinha cartão amarelo, mas sequer foi advertido. Pouco depois, foi substituído para evitar a expulsão.
Para o Flamengo, a soma dos erros comprometeu o resultado. Até a expulsão, a equipe controlava o jogo e vencia por 2 a 0 sem sustos. Com um a menos, foi obrigada a recuar, permitindo a pressão final dos argentinos.
O que vem pela frente
Apesar da frustração, o Flamengo leva para a Argentina uma vantagem importante: joga por um empate em La Plata, na próxima quinta-feira (25), para se classificar à semifinal. Caso o Estudiantes vença por um gol de diferença, a decisão vai para os pênaltis.
O desafio do Flamengo será manter a postura do primeiro tempo no Maracanã, mas desta vez com eficiência para transformar superioridade em um placar definitivo. Ao mesmo tempo, o clube cobra atenção da Conmebol para a arbitragem do jogo de volta, já que a sensação é de que a catastrófica arbitragem de Andrés Rojas não pode se repetir em um torneio de tamanha grandeza.
Com futebol para avançar e polêmica para incendiar os bastidores, o Flamengo vai para a decisão da vaga na Argentina em meio a uma mistura de confiança e indignação.
