Flamengo sofre empate no fim, perde chance de ampliar vantagem no Brasileirão e diretor do clube faz duras críticas contra a condução do árbitro.
O domingo no Maracanã tinha todos os ingredientes para ser mais uma festa rubro-negra no Campeonato Brasileiro. Quase 70 mil torcedores lotaram as arquibancadas, embalados pela goleada histórica por 8 a 0 sobre o Vitória e pela celebração do maior patrocínio do futebol brasileiro. A expectativa era de mais uma vitória do Flamengo, líder da competição. No entanto, a equipe acabou frustrando seus torcedores ao empatar em 1 a 1 com o Grêmio, após sofrer o gol de empate nos minutos finais.
O resultado foi amargo, sobretudo pelo domínio apresentado ao longo dos 90 minutos. O time de Filipe Luís criou, pressionou e desperdiçou oportunidades claras que poderiam ter garantido os três pontos ainda no primeiro tempo. Mas um pênalti cometido por Ayrton Lucas, aos 37 minutos da segunda etapa, mudou o rumo da partida e custou caro ao Rubro-Negro.

Expectativa alta, frustração no fim
O Flamengo entrou em campo sob grande expectativa. Além da goleada anterior, o time vinha em ritmo acelerado, impondo seu estilo ofensivo e sufocando os adversários. No primeiro tempo, parecia repetir a receita: Samuel Lino, Varela e Plata deram trabalho pelos lados, e Pedro quase abriu o placar em duas boas oportunidades defendidas por Tiago Volpi.
Na volta do segundo tempo, o domínio se manteve. E, logo aos sete minutos, a torcida explodiu: em uma jogada ensaiada de qualidade, Pedro fez o pivô para Arrascaeta, que finalizou com categoria para abrir o placar. O lance retratou bem a sintonia da dupla, que tem sido fundamental na temporada. Com a vantagem no placar, o Flamengo continuou criando. De la Cruz teve duas cobranças de falta perigosas, e Léo Pereira quase ampliou de cabeça.

O Grêmio, que até então pouco ameaçava, encontrou espaços e conseguiu chegar ao ataque. Foi nesse cenário que Ayrton Lucas cometeu o pênalti de mão na bola dentro da área. Na cobrança, o goleiro Tiago Volpi assumiu a responsabilidade e converteu, empatando a partida em pleno Maracanã.
E assim, o Flamengo amargou um empate que teve gosto de derrota. Além de desperdiçar dois pontos importantes em casa, o resultado abriu espaço para a aproximação dos concorrentes diretos pelo título. O Flamengo chegou a 47 pontos em 21 jogos e manteve a liderança do Brasileirão. O Cruzeiro, que tem 22 partidas, soma 44 pontos, enquanto o Palmeiras, com dois jogos a menos, aparece logo atrás com 43.
Boto dispara contra a arbitragem: “Estupidez”
O empate em 1 a 1 com o Grêmio não deixou apenas a sensação de frustração pelo vacilo dentro de campo. Fora das quatro linhas, o tom também foi de indignação. O diretor de futebol José Boto, concedeu entrevista logo após a partida e fez duras críticas à arbitragem de Paulo César Zanovelli. Para o dirigente, o Rubro-Negro tem sido alvo constante de decisões que comprometem a fluidez do jogo e prejudicam diretamente o estilo ofensivo da equipe.
“Estou muito preocupado. Não com o desempenho da equipe, que jogou bem e criou oportunidades. O goleiro deles fez boas defesas. O que me preocupa é esse tipo de arbitragem. Tivemos 67% de posse de bola, 26 finalizações, 13 escanteios contra zero, e ainda assim fizemos mais faltas que o adversário. Isso é impossível, não existe em lugar algum do mundo. E não é a primeira vez que acontece”, declarou Boto, em tom de alerta.

O dirigente também reforçou que não se tratava apenas do lance do pênalti — corretamente assinalado contra Ayrton Lucas — mas de um padrão que, segundo ele, tem se repetido em outras rodadas. Para Boto, o excesso de interrupções e a inversão de faltas impedem que o Flamengo mantenha a intensidade que caracteriza o time.
“A questão não é a estupidez dos adversários. Os adversários jogam com as armas que têm. A estupidez é da arbitragem”, disparou o diretor, em crítica direta ao critério adotado durante os 90 minutos no Maracanã.
Além disso, Boto citou que o problema não é pontual. Na visão dele, o Rubro-Negro já foi prejudicado em outras ocasiões recentes, o que levanta dúvidas sobre a uniformidade dos critérios no Campeonato Brasileiro.
“Não acho que foi o fator principal para o empate, tivemos muitas finalizações e não acertamos. Mas preocupa porque trava nossa avalanche ofensiva. Não é a primeira vez que acontece, tira a fluência do nosso jogo e não me parece que seja por acaso. Não sei, precisamos estar muito atentos a isso”, completou.
Flamengo terá período de ajustes antes da reta final
Agora o Brasileirão terá uma pausa por conta da Data FIFA e, apesar da frustração pelo empate, o Flamengo terá duas semanas para reorganizar o time, recuperar jogadores e ajustar detalhes que podem fazer a diferença na reta final da temporada. O elenco segue vivo em duas frentes — Brasileirão e Libertadores — e o principal desafio será manter o nível de concentração até o último minuto de cada jogo.
A partida contra o Grêmio deixou uma lição clara: em campeonato de pontos corridos, qualquer vacilo pode custar caro. O Flamengo segue líder, mas precisará transformar domínio em resultados para não ver a vantagem evaporar.


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