Após derrota por 1 a 0, Flamengo supera Estudiantes por 4 a 2 nas penalidades e avança com drama na Argentina
O Flamengo viveu uma noite de altos e baixos em La Plata, mas conseguiu confirmar sua presença entre os quatro melhores da Libertadores. Derrotado por 1 a 0 no tempo regulamentar, o Rubro-Negro contou com a estrela de Agustín Rossi, que defendeu duas cobranças de pênalti, para eliminar o Estudiantes por 4 a 2 nas penalidades e avançar à semifinal. O triunfo coroa a vitória obtida no Maracanã, mas também expõe falhas que precisam de correção urgente se o time quiser sonhar com a final.

Jogo duro e clima hostil na Argentina
Desde o início, o Estudiantes mostrou que a noite não seria simples para o Flamengo. Empurrado pela torcida e transformando o estádio Jorge Luis Hirschi em um verdadeiro caldeirão, o time argentino apostou na imposição física e na pressão constante sobre os cariocas. O Rubro-Negro, mesmo escalado com força máxima por Filipe Luís, apresentou pouca criatividade e demonstrou dificuldade para escapar da marcação.
Pedro teve a melhor oportunidade do time logo aos 11 minutos, após jogada trabalhada entre Arrascaeta e Samuel Lino, mas viu seu chute travado pela defesa. Do outro lado, o Estudiantes respondeu com finalizações que exigiram defesas de Rossi. A insistência foi premiada nos acréscimos da primeira etapa, quando Benedetti recebeu lançamento, bateu cruzado e abriu o placar, em lance defensável para o goleiro rubro-negro.

Na volta do intervalo, esperava-se uma postura mais agressiva do Flamengo, mas a equipe seguiu com as mesmas dificuldades. O Estudiantes dominou o meio-campo e quase ampliou com Benedetti, que teve gol anulado por impedimento aos 27 minutos. O susto expôs ainda mais a instabilidade rubro-negra.
Filipe Luís tentou reagir com substituições. Bruno Henrique e Luiz Araújo deram mais velocidade, enquanto Carrascal buscou movimentação ofensiva ao lado de Samuel Lino. Apesar de maior posse de bola, o Flamengo não conseguiu transformar o controle em chances claras. As falhas individuais ficaram evidentes nos minutos finais, com Bruno Henrique desperdiçando chance dentro da área e Samuel Lino se atrapalhando em boa oportunidade de finalização. O empate no agregado acabou levando a decisão para os pênaltis.
Rossi: da decepção ao estrelato
Se no tempo regulamentar Rossi saiu para o intervalo lamentando o gol sofrido e a possível falha, nas penalidades o goleiro argentino viveu uma virada digna de Libertadores. Seguro, ele defendeu as cobranças de Benedetti e Ascacíbar, transformando a frustração em redenção.
Do lado ofensivo, o Flamengo não desperdiçou: Jorginho, Luiz Araújo, Carrascal e Léo Pereira converteram com precisão, fechando o placar em 4 a 2. O desabafo de Rossi ao fim da disputa, vibrando intensamente após a segunda defesa, simbolizou a superação que manteve o clube vivo no torneio.
Após a partida, o técnico Filipe Luís fez questão de exaltar Rossi, lembrando a confiança que o grupo deposita no goleiro e revelando uma promessa feita pelo argentino antes da disputa de pênaltis:
— “O Rossi tem a nossa confiança, tem o carinho dos jogadores. Quando um goleiro erra, a exposição é grande, mas ele prometeu antes dos pênaltis: ‘Deixa comigo que eu errei antes e vou classificar a gente agora’. E cumpriu.”
As lições que o Flamengo tira de La Plata
A vitória nos pênaltis foi motivo de comemoração, mas também de alerta. O Flamengo apresentou pouco senso de urgência diante de um adversário tecnicamente inferior e mostrou fragilidade em aspectos fundamentais de um mata-mata continental: intensidade, disciplina e concentração.
Por outro lado, a classificação reforça a ideia de que a Libertadores se vence também com resiliência. Em noites de pressão, o mais importante é sobreviver — e o Flamengo sobreviveu. A semifinal, no entanto, exigirá mais do que talento individual ou brilho pontual. É preciso que o time reencontre a consistência que se espera de um elenco estrelado e candidato natural ao título.

O Flamengo está entre os quatro melhores da América, mas o desempenho diante do Estudiantes deixa claro que a caminhada até o título exigirá muito mais intensidade, organização e eficiência. Rossi, com sua redenção, foi a chave de uma noite que, acima de tudo, serve como lição.
A vaga na semifinal garante moral e confiança, mas também traz a lição de que Libertadores não perdoa vacilos. Rossi, de vilão a herói, é agora símbolo de resiliência, mas o Rubro-Negro precisará mais do que brilho individual para alcançar a final sonhada.
Com 2 a 2 no placar agregado e vitória por 4 a 2 nos pênaltis, o Flamengo avança, mas leva de La Plata mais perguntas do que respostas. O desafio é transformar a classificação suada em combustível para, enfim, se tornar o Flamengo que se espera na competição continental.


1 comentário em “No sufoco! Flamengo perde para o Estudiantes, mas Rossi brilha nos pênaltis e leva time à semifinal da Libertadores”