Bruno Henrique em ação pelo Flamengo — Foto: André Durão

Entenda as punições que podem afastar Bruno Henrique do Flamengo por até 2 anos

STJ e STJD marcam julgamentos de Bruno Henrique para a próxima semana. Atacante nega acusações.

O atacante Bruno Henrique, um dos principais jogadores do Flamengo, corre risco de sofrer punições severas que podem afastá-lo dos gramados por até dois anos. O atleta será julgado na próxima semana em duas frentes — no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) — por suposta participação em manipulação de apostas esportivas. As sessões são consideradas decisivas tanto para o futuro do jogador quanto para o clube rubro-negro.

A primeira audiência está marcada para a próxima terça-feira (2), quando a Quinta Turma do STJ analisará um recurso da defesa do atacante. O pedido de agravo regimental busca reverter a decisão que rejeitou um habeas corpus apresentado anteriormente. O ministro Joel Ilan Paciornik, em decisão individual, havia considerado que o habeas corpus não seria o instrumento adequado para a discussão sobre a competência da Justiça. A defesa de Bruno Henrique sustenta que o caso deveria ser julgado pela Justiça Federal e não pela Justiça do Distrito Federal, o que anularia os atos já praticados.

Dois dias depois, na quinta-feira (4), será a vez do STJD julgar o atleta no âmbito esportivo. O tribunal agendou a sessão para as 9h (de Brasília), na sede localizada no Centro do Rio de Janeiro. Bruno Henrique foi denunciado com base no artigo 243 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de “atuar, de forma desleal ou fraudulenta, com o fim de influenciar resultado de partida”. Caso seja considerado culpado, o atacante pode ser suspenso por um período entre 180 e 360 dias, além de receber multa de até R$ 100 mil. Outras denúncias acrescentadas ampliam a possibilidade de punições, incluindo suspensões que podem chegar a dois anos.

Bruno Henrique em Vasco x Flamengo — Foto: André Durão/ge
Bruno Henrique em Vasco x Flamengo — Foto: André Durão/ge

O caso Bruno Henrique

A investigação teve início em agosto de 2023, conduzida pela Polícia Federal. Em novembro do mesmo ano, o jogador e outros suspeitos foram alvo de mandados de busca e apreensão. O indiciamento formal aconteceu em abril deste ano, após análise de mensagens extraídas do celular de Wander Nunes Pinto, irmão de Bruno Henrique. De acordo com o Ministério Público do Distrito Federal, o atacante teria informado ao irmão que receberia um cartão amarelo na partida contra o Santos, realizada em novembro, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. À época, o atleta estava pendurado com dois cartões.

Imagem incluída na denúncia contra Bruno Henrique à Comissão Disciplinar do STJD — Foto: Reprodução
Imagem incluída na denúncia contra Bruno Henrique à Comissão Disciplinar do STJD — Foto: Reprodução

A partir dessa informação, Wander, sua esposa, uma prima e amigos teriam realizado apostas específicas no recebimento do cartão, o que despertou suspeitas pelo volume investido. A denúncia aponta que tais apostas poderiam configurar manipulação de evento esportivo, caso se confirmasse a intenção deliberada do atleta em provocar a advertência.

Bruno Henrique, no entanto, nega qualquer envolvimento em esquema de manipulação. Sua defesa sustenta que o cartão foi aplicado em um lance comum da partida e que sequer houve falta no momento da infração. Em nota, os advogados afirmaram: 

— Bruno Henrique foi punido com cartão em um lance em que, obviamente, sequer falta houve. É absurda a alegação de que tomar um cartão nesse lance, em que sequer falta houve, tinha como objetivo influenciar no resultado da partida ou do campeonato que estava em disputa. O próprio STJD já havia antes arquivado o caso que se baseava nas mesmas alegações e a Defesa do atleta demonstrará que a nova acusação também merece ter esse mesmo desfecho.

Bruno Henrique foi expulso na partida contra o Santos — Foto: Reprodução/Youtube
Bruno Henrique foi expulso na partida contra o Santos — Foto: Reprodução/Youtube

Possíveis punições

No STJD, Bruno Henrique responde a diversas denúncias: além do artigo 243, também ao 243-A, ao artigo 184 e ao artigo 191, inciso III, todos do CBJD. As penalidades previstas vão desde multas de R$ 100 a R$ 100 mil até suspensões que variam de 12 a 24 partidas ou de 360 a 720 dias. Em casos mais graves, existe até a possibilidade de eliminação do atleta em caso de reincidência.

Além disso, o Regulamento Geral de Competições da CBF de 2023 também é utilizado na denúncia, em especial o artigo 65, que trata de condutas ilícitas relacionadas a apostas, como instruir terceiros a apostar em eventos específicos ou compartilhar informações privilegiadas para gerar vantagens financeiras.

Impacto no Flamengo

Apesar das denúncias, Bruno Henrique segue atuando normalmente pelo Flamengo. O clube, que se ampara no princípio da presunção de inocência, manteve o atacante no elenco sem restrições. Na última rodada do Brasileirão, o camisa 27 marcou um dos gols na goleada por 8 a 0 sobre o Vitória, no Maracanã, e deve estar em campo contra o Grêmio no próximo domingo (1º), antes da pausa para a Data Fifa.

Dentro do clube, o assunto é tratado com cautela. A diretoria evita manifestações públicas e acompanha de perto o desenrolar do processo. O Flamengo entende que qualquer medida mais drástica só deve ser tomada em caso de condenação definitiva. Enquanto isso, a presença de Bruno Henrique em campo continua sendo fundamental, já que o atacante é considerado peça-chave no esquema do técnico Filipe Luís.

Semana decisiva

A sequência de julgamentos promete definir os próximos passos da carreira de Bruno Henrique. No STJ, a decisão pode alterar os rumos da investigação na esfera cível, enquanto no STJD o atacante corre risco de sofrer punições esportivas que impactariam diretamente sua temporada. Para o Flamengo, a expectativa é de que o jogador consiga comprovar sua inocência e siga disponível em meio a um calendário decisivo no Campeonato Brasileiro.

O caso de Bruno Henrique evidencia a crescente preocupação das autoridades esportivas e jurídicas com a manipulação de resultados no futebol brasileiro. Em tempos de expansão das apostas esportivas, a rigidez na apuração desses episódios tem sido cada vez maior. O atacante rubro-negro, que nega veementemente qualquer participação, terá a oportunidade de apresentar sua defesa nos dois tribunais na próxima semana — uma batalha que pode marcar um dos capítulos mais delicados de sua carreira.

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