Flamengo x Vasco no Maracanã — Foto: Andre Durão

Bola aérea preocupa o Flamengo antes de decisão contra o Estudiantes na Libertadores

Gol sofrido diante do Vasco reacende debate sobre a defesa do Flamengo, mas Filipe Luís confia na correção dos erros. Números revelam alerta às vésperas da partida em La Plata.

O empate por 1 a 1 contra o Vasco, no último domingo (21), no Maracanã, acendeu um sinal de alerta no Flamengo. A três dias do jogo de volta das quartas de final da Libertadores, contra o Estudiantes, na Argentina, a bola aérea defensiva voltou a ser pauta no clube rubro-negro. O gol vascaíno, marcado por Rayan de cabeça após saída equivocada do goleiro Rossi, trouxe à tona uma preocupação antiga da torcida, justamente às vésperas de uma decisão que vale vaga na semifinal continental.

O cenário aumenta a tensão para a partida desta quinta-feira (25), no Estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata. No jogo de ida, no Maracanã, o Flamengo venceu por 2 a 1 e chega com a vantagem do empate para se classificar. Porém, um revés por um gol de diferença leva a disputa para os pênaltis, o que torna qualquer falha defensiva ainda mais perigosa.

A preocupação com a bola aérea é legítima?

O gol sofrido no clássico carioca não foi um episódio isolado. Antes mesmo do empate de Rayan, o zagueiro Cuesta já havia levado perigo em cabeceio defendido por Rossi. O incômodo se repete em outros momentos recentes da temporada, como no empate por 1 a 1 com o Ceará, quando Pedro Raul marcou também em jogada aérea, e no primeiro jogo contra o Estudiantes, quando o gol argentino nasceu de um escanteio curto que terminou em chute de Carrillo desviado por Léo Pereira.

A recorrência desses lances trouxe à tona a insatisfação de parte da torcida, especialmente em relação às saídas de Rossi. O goleiro argentino tem sido alvo de críticas por hesitar em jogadas pelo alto, algo que se repetiu contra o Vasco, quando abandonou a meta, mas não conseguiu alcançar a bola cruzada.

Rossi durante treino no Ninho do Urubu - Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
Rossi durante treino do Flamengo no Ninho do Urubu – Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Filipe Luís defende o trabalho: “muito sólido”

Na coletiva após o clássico, o técnico Filipe Luís reconheceu a falha, mas defendeu o trabalho realizado no dia a dia. Segundo ele, o Flamengo mantém números sólidos na defesa de bolas paradas e o momento exige correção pontual, não alarde.

—Como todas as outras fases do jogo, são treinos, trabalhos, correção dos erros e melhorias. Vamos estudar junto com a comissão o que aconteceu, o que vem acontecendo. Nosso time é muito sólido na bola parada. Você citou esse gol do Ceará, mas tomamos poucos gols de bola parada e fizemos muitos. Temos que continuar insistindo na correção dos erros para poder sempre evoluir em cima de cada jogo que vai passando — afirmou o treinador.

Filipe Luís durante o jogo entre Flamengo e Vasco no Maracanã - Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Filipe Luís durante o jogo entre Flamengo e Vasco no Maracanã – Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Apesar do discurso de confiança, os números mostram um equilíbrio delicado. Dos 27 gols sofridos pelo Flamengo na temporada, apenas 10 nasceram em jogadas de bola parada — três de pênalti e sete em escanteios ou faltas levantadas na área. O dado reforça a visão de Filipe Luís, mas o fato de três desses gols terem ocorrido em jogos recentes reforça a preocupação da torcida com uma possível fragilidade no setor para o jogo decisivo na Libertadores.

— Tomamos gol de bola para. Sabemos que isso decide campeonato. Em muitos momentos tiramos proveito disso e hoje acabamos pecando em bola parada e sofremos o gol — cobrou Léo Ortiz após o empate com o Vasco.

O impacto dos erros na tabela

A perda de pontos em situações semelhantes custa caro. Só nos empates contra Vasco e Ceará, o Flamengo deixou escapar quatro pontos que poderiam lhe dar maior folga na liderança do Brasileirão. O detalhe ganha ainda mais relevância em mata-matas, onde a margem de erro é mínima e cada gol pode definir a classificação.

A bola parada defensiva, até maio, era responsabilidade do auxiliar Daniel Alegria, desligado do clube. Desde então, a função passou a ser dividida entre Rodrigo Caio, ex-zagueiro multicampeão pelo Flamengo, e outros membros da comissão técnica. O desafio é transformar ajustes pontuais em solidez, especialmente em jogos de grande pressão.

Semana de vida ou morte

O elenco rubro-negro terá apenas três dias para corrigir os problemas antes do confronto em La Plata — dois treinamentos no Brasil e um na Argentina. A delegação viaja nesta terça-feira (23) e faz a última atividade em Buenos Aires na véspera do jogo.

Com a vantagem conquistada no Maracanã, o Flamengo joga por um empate para avançar. Ainda assim, a estratégia passa diretamente pela segurança defensiva, já que qualquer vacilo em escanteios ou faltas laterais pode comprometer todo o planejamento.

Elenco do Flamengo durante treino no Ninho do Urubu - Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Elenco do Flamengo durante treino no Ninho do Urubu – Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Mais do que um simples detalhe tático, a bola aérea tornou-se um ponto-chave da temporada. O Flamengo chega à Argentina com o desafio de confirmar sua vaga entre os quatro melhores da América, mas a tensão cresce diante da repetição de erros recentes. Rossi, zaga e comissão técnica sabem que cada centímetro no alto pode decidir o futuro do clube na Libertadores.

Após o compromisso internacional, o Flamengo volta a campo pelo Campeonato Brasileiro no próximo domingo (28), quando visita o Corinthians, às 20h30, na Neo Química Arena. Até lá, no entanto, todas as atenções estarão voltadas para a Argentina e para o duelo de vida ou morte diante do Estudiantes.

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