Bruno Henrique comemora gol pelo Flamengo contra o Atlético-MG - Foto: Adriano Fontes/Flamengo

Quase lá: Bruno Henrique salva e deixa Flamengo a um passo do título do Brasileirão

Falta de pontaria preocupa, mas gol nos acréscimos garante empate contra o Atlético-MG e mantém o Flamengo com a mão na taça, que pode ser campeão já na próxima rodada

O Flamengo saiu da Arena MRV com a sensação de alívio — e de missão praticamente cumprida — após o empate com o Atlético-MG. Mesmo sem garantir matematicamente o título, o gol de Bruno Henrique nos acréscimos encaminhou de forma decisiva a conquista do Campeonato Brasileiro e permitiu ao time de Filipe Luís virar a chave para a final da Libertadores. Foi uma noite em que tudo conspirava para a festa rubro-negra, menos o próprio Flamengo, que voltou a conviver com um velho problema: a falta de pontaria.

Sob forte tensão pelo contexto da reta final da temporada e com um olho na decisão continental, o Rubro-Negro entrou em campo com um time misto e mostrou, mais uma vez, dificuldades na hora de transformar chances em gols. O roteiro remeteu a episódios já vividos em 2025: volume ofensivo elevado, mas baixa eficiência nas finalizações. A bola insistia em não entrar, e por pouco o que era para ser celebração não se transformou em frustração.

Samuel Lino em ação contra o Atlético-MG - Foto: Adriano Fontes/Flamengo
Samuel Lino em ação contra o Atlético-MG – Foto: Adriano Fontes/Flamengo

Pontaria baixa reacende alertas do passado

A pontaria falha e o elenco mexido foram protagonistas. Com um Flamengo modificado pelas orientações do departamento médico, o entrosamento pesou. Varela, Alex Sandro, Jorginho, Arrascaeta e Bruno Henrique tinham indicação para não começarem entre os titulares, o que fez Filipe Luís recorrer à escalação alternativa. Evertton Araújo foi mantido no meio, Wallace Yan assumiu a referência no ataque, com Carrascal centralizado, Luiz Araújo pela direita e Lino pela esquerda. As oportunidades apareceram — pelo menos quatro claras na primeira etapa — mas faltou frieza na conclusão.

Na prática, a equipe mostrou evolução emocional em relação ao recente clássico contra o Fluminense. São situações distintas, mas o peso da ansiedade não se traduziu em apatia. Pelo contrário: o Flamengo competiu, criou e insistiu. O problema, desta vez, não foi falta de entrega: foi falta de precisão. E esse diagnóstico, embora repetido, acende um alerta a poucos dias da partida mais importante do ano.

Se alguns pontos animaram a comissão técnica, outros escancararam limitações. As laterais seguem sendo um setor de discrepância entre titulares e reservas. Emerson Royal viveu uma das piores atuações pelo clube, e Ayrton Lucas não ficou muito atrás. Ambos participaram diretamente do erro que resultou no gol atleticano, dando continuidade a uma série de equívocos defensivos que custaram caro ao Flamengo ao longo do Brasileirão.

Emerson Royal em ação contra o Atlético-MG - Foto: Adriano Fontes/Flamengo
Emerson Royal em ação contra o Atlético-MG – Foto: Adriano Fontes/Flamengo

Foi preciso chamar a “cavalaria”

O segundo tempo obrigou Filipe Luís a recorrer àquilo que chamou de “cavalaria”. Bruno Henrique entrou no intervalo, seguido por Jorginho e Arrascaeta. A dinâmica ofensiva mudou, mas o Atlético fechou ainda mais a defesa, e Everson teve noite inspirada. Houve bola na trave, cruzamentos em sequência e tentativas de todos os lados. Nada parecia suficiente. Cebolinha e Plata também foram acionados, mas o cenário continuou dramático até os minutos finais.

Foi então que brilhou a estrela de Bruno Henrique, o nome do Flamengo nas últimas rodadas, mesmo atuando em uma função ainda em processo de adaptação. O gol nos acréscimos não só impediu um tropeço que poderia pressionar ainda mais o elenco, como reforçou uma das grandes virtudes da equipe na reta final: a capacidade de decidir sob tensão. A recuperação do camisa 27, aliás, é um mérito direto de Filipe Luís, que devolveu protagonismo a um dos jogadores mais decisivos da história recente do clube.

Bruno Henrique comemora gol pelo Flamengo contra o Atlético-MG - Foto: Adriano Fontes/Flamengo
Bruno Henrique comemora gol pelo Flamengo contra o Atlético-MG – Foto: Adriano Fontes/Flamengo

Enquanto o jogo se desenrolava, jogadores e reservas ouviam da arquibancada a comemoração da virada do Grêmio sobre o Palmeiras, resultado que ampliou o conforto rubro-negro na tabela. Diferente do rival, que empurrou a responsabilidade para os demais, o Flamengo optou por manter o foco apenas em si. E agora, com o empate e a combinação da rodada, pode virar completamente a atenção para a final da Libertadores, contra o próprio Palmeiras, no sábado, em Lima.

Título encaminhado e contas simples na reta final

Faltando duas rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro, o Flamengo chega à reta decisiva com cinco pontos de vantagem sobre o Palmeiras: 75 a 70. O Cruzeiro, embora ainda vivo, depende de uma combinação improvável.

Caso vença o Ceará no Maracanã, o Flamengo será campeão em qualquer cenário. Em caso de empate ou derrota, ainda pode levantar a taça na quarta-feira, dependendo dos resultados de Palmeiras e Cruzeiro. Apenas uma vitória paulista e duas vitórias cruzeirenses forçariam a decisão para a rodada final.

Ou seja: o título está nas mãos do Flamengo.

Com o Brasileirão encaminhado e o emocional estabilizado pela bola salvadora de Bruno Henrique, o Rubro-Negro finalmente pode fazer aquilo que esperava há semanas: virar a chave e pensar, exclusivamente, na Libertadores. A temporada está no limite — e pode terminar no topo.

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