Ao lado do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, José Boto oficializou seu vínculo com o Flamengo - Foto: Divulgação / Flamengo

Bap garante permanência de José Boto no Flamengo em meio a crise após 7 meses

Bap tenta conter crise no Flamengo mesmo com pressão interna após vazamento de informações. Entenda o caso.

Os bastidores do Flamengo seguem agitados. O começo da famosa “Crise na Gávea” aconteceu quando o jornalista Mauro Cézar Pereira revelou informações internas envolvendo o atacante Pedro. O vazamento da suposta intenção do clube em negociar o camisa 9 caiu como uma bomba no ambiente rubro-negro e levantou suspeitas de que o diretor de futebol, José Boto, teria sido o responsável por entregar dados estratégicos a jornalistas. Apesar das especulações, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Conselho de Administração do clube, fez questão de colocar um ponto final nos boatos e garantiu a permanência do dirigente português.

“Eu jamais pensei em trocar o comando do futebol do Flamengo” – declarou Bap, em uma tentativa de frear a crise que tomou conta da Gávea.

A afirmação, embora enfática, não esconde o desgaste vivido por José Boto, que enfrenta sua primeira grande turbulência desde que assumiu o futebol do clube, há pouco mais de sete meses.

Ao lado de Bap, Boto visita CT do Flamengo - Imagem: Marcelo Cortes/CRF
Ao lado de Bap, Boto visita CT do Flamengo – Imagem: Marcelo Cortes/CRF

Desgaste interno e rumores de pedido de demissão

Mesmo com o respaldo público de Bap, o clima nos bastidores não é dos melhores. Boatos indicavam que o próprio Boto estaria cogitando pedir demissão, incomodado com o ambiente conturbado e a pressão de conselheiros e torcedores. Nas redes sociais, crescem os pedidos por sua saída, impulsionados não apenas pelo caso Pedro, mas também por episódios como o vazamento de prints de conversas internas e a polêmica tentativa de contratação de Mikey Johnston, atacante irlandês da segunda divisão inglesa.

Diante do cenário de tensão, parte da ala política do Flamengo pressionou Bap a tomar uma decisão mais drástica. Contudo, o dirigente máximo do clube adota um tom conciliador e descarta qualquer possibilidade de demitir o português neste momento. Uma reunião deve acontecer ainda hoje para tratar destes assuntos.

Bap quer realinhar projeto, não demitir

A postura de Luiz Eduardo Baptista é clara: o momento é de ajuste de rota e não de rompimento. Internamente, há a convicção de que uma conversa direta entre Bap e Boto é essencial para realinhar objetivos e métodos de trabalho. O dirigente português, reconhecido por passagens de sucesso por clubes europeus, ainda está em fase de adaptação à realidade peculiar do futebol brasileiro e, principalmente, à pressão que envolve o Flamengo.

Fontes ligadas à diretoria afirmam que o encontro entre Bap e Boto servirá para enfatizar a importância de blindar o vestiário e evitar novas exposições desnecessárias. O dirigente só deixará o cargo caso ele próprio solicite seu desligamento, hipótese que, por ora, não é tratada como prioridade.

José Boto visita Ninho do Urubu - Imagem: Marcelo Cortes/CRF
José Boto visita Ninho do Urubu – Imagem: Marcelo Cortes/CRF

Multa rescisória é um entrave

Outro fator que pesa na balança é a questão financeira. Caso o Flamengo opte por uma demissão unilateral, o clube precisará arcar com uma multa rescisória estimada em aproximadamente R$ 2 milhões. Assim como os atletas, o contrato de José Boto é dividido em vínculo trabalhista e direito de imagem. Uma cláusula contratual garante ao Rubro-Negro o direito de reter até 30% desse valor se o pedido de demissão não for comunicado com antecedência mínima de um mês.

O modelo é semelhante ao que o clube utilizou no caso Gerson. O clube estuda acionar judicialmente o jogador por considerar o pagamento da multa de 25 milhões de euros (cerca de R$ 160 milhões) uma “rescisão antecipada”. A diretoria entende que o direito de imagem é algo à parte do vínculo de trabalho e nele há um artigo que prevê a cobrança do valor total do contrato em caso de rompimento unilateral sem justa causa.

José Boto, diretor do Flamengo - Foto: Lucas Bayer/Lance!
José Boto, diretor do Flamengo – Foto: Lucas Bayer/Lance!

Clube tenta conter crise e focar na temporada

Enquanto os bastidores fervem, o Flamengo busca não perder o foco dentro de campo. Resta agora ao departamento de futebol, liderado por Boto, blindar o grupo, evitar novos vazamentos e restabelecer a confiança interna.

Com respaldo de Bap, o dirigente português terá a missão de mostrar, na prática, que pode contribuir para um Flamengo mais forte e bem gerido, mesmo em meio às pressões que só um clube desse tamanho é capaz de exercer.

Enquanto isso, torcedores, conselheiros e imprensa seguem atentos a cada passo dos bastidores. Afinal, no Flamengo, uma simples faísca sempre pode virar incêndio. E a forma como Bap conduz a crise de José Boto será determinante para evitar que as chamas se espalhem ainda mais.

Gostou? Compartilhe

1 comentário em “Bap garante permanência de José Boto no Flamengo em meio a crise após 7 meses”

Deixe um comentário

Veja Também