Pedro saindo do jogo contra Racing com lesão no braço direito - Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Sem Pedro, ataque do Flamengo decepciona e marca só 39% dos gols em 2025


Debate sobre baixa eficiência ofensiva do Flamengo reacende. Arrascaeta é o artilheiro da temporada, enquanto Samuel Lino tenta se reerguer após longo jejum e críticas da torcida.

A ausência de Pedro escancarou um problema que o Flamengo ainda não conseguiu resolver em 2025: a falta de protagonismo de seus atacantes. O empate por 2 a 2 com o São Paulo, na última quarta-feira, em jogo marcado pela expulsão de Gonzalo Plata, evidenciou um dado alarmante — sem o camisa 9, os jogadores de frente do time têm participação direta em apenas 39% dos gols rubro-negros no ano.

A estatística expõe um desequilíbrio ofensivo que vai além da ausência momentânea de Pedro, vice-artilheiro do time com 15 gols em 37 jogos. Entre os atacantes, o desempenho é modesto. Luiz Araújo, com 12 gols em 59 partidas, é o terceiro jogador que mais balançou as redes em 2025, mas seu último gol aconteceu em 15 de outubro, contra o Botafogo — mesma data em que Plata marcou pela última vez.

São Paulo 2x2 Flamengo, Campeonato Brasileiro - Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
São Paulo 2×2 Flamengo, Campeonato Brasileiro – Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Dos 115 gols marcados pelo Flamengo sob o comando de Filipe Luís em 64 jogos no ano, apenas 45 saíram dos atacantes atualmente no elenco. Isso significa que mais da metade das bolas na rede vem de meio-campistas e laterais, com destaque para o uruguaio Arrascaeta, que se tornou o principal nome ofensivo da equipe.

Arrascaeta: o meia que virou artilheiro

O camisa 10 do Flamengo assumiu o papel de protagonista absoluto em 2025. Na partida contra o São Paulo, foi dele o primeiro gol, após sofrer e converter o pênalti. Pouco depois, iniciou a jogada que terminou no gol de Samuel Lino, ao evitar a saída da bola e acionar Emerson Royal na construção da jogada.

Com o gol na Vila Belmiro, Arrascaeta chegou a 95 gols com a camisa rubro-negra, ultrapassou Doval e se isolou como maior artilheiro estrangeiro da história do clube. Além disso, lidera o Flamengo no Campeonato Brasileiro com 17 gols, mesmo atuando em uma função de criação, o que reforça o peso de sua contribuição ofensiva.

Arrascaeta comemora gol da vitória do Flamengo contra o Bahia - Foto: Adriano Fontes / CRF
Arrascaeta comemora gol da vitória do Flamengo contra o Bahia – Foto: Adriano Fontes / CRF

O desafio sem Pedro

O Flamengo não conta com seu centroavante desde o dia 22 de outubro, quando Pedro sofreu uma fratura no antebraço direito. O clube estima mais duas semanas de recuperação e avalia a possibilidade de o camisa 9 voltar ao time no clássico contra o Fluminense, em 19 de novembro, com uma proteção no braço — tudo dependerá da evolução clínica.

Sem Pedro, Filipe Luís tem testado alternativas, mas nenhuma correspondeu plenamente. Bruno Henrique, outrora símbolo de potência e decisão, soma 11 gols em 52 partidas (média de 0,21 por jogo). Everton Cebolinha, Samuel Lino e Plata vivem períodos de oscilação e baixa efetividade.

Confira o desempenho dos atacantes rubro-negros em 2025:

  • Pedro – 15 gols em 37 jogos (média 0,4 por jogo)
  • Bruno Henrique – 11 gols em 52 jogos (0,21)
  • Luiz Araújo – 12 gols em 59 jogos (0,20)
  • Wallace Yan – 5 gols em 26 jogos (0,19)
  • Everton Cebolinha – 4 gols em 33 jogos (0,12)
  • Samuel Lino – 3 gols em 25 jogos (0,12)
  • Plata – 5 gols em 47 jogos (0,10)
  • Juninho – 3 gols em 29 jogos (0,10)
  • Michael – 2 gols em 27 jogos (0,07)

Os números revelam a dependência do Flamengo em relação a Pedro e Arrascaeta, ao mesmo tempo em que demonstram a dificuldade dos demais jogadores de frente em manter uma média consistente.

Samuel Lino encerra jejum e desabafa

Entre os que mais sofrem com as cobranças está Samuel Lino, que voltou a marcar após mais de dois meses sem balançar as redes. O gol, marcado com uma bela finalização de primeira no ângulo do goleiro Rafael, poderia ter garantido a vitória do Flamengo, mas a expulsão de Plata logo em seguida mudou o rumo da partida.

Ao todo, o atacante ficou 13 jogos sem marcar, período em que contribuiu apenas com uma assistência. Apesar da seca, Lino demonstra confiança na recuperação. Em entrevista após o jogo, desabafou sobre o peso da camisa e a intensidade das críticas:

“Foi um baque para mim, que falei: por quê? Porque todo mundo está passando por isso, esse momento… Só que aqui no Brasil é muita informação, a mídia, o Flamengo é gigantesco, então as pessoas caem matando, você tem que fazer gol todo jogo”, afirmou Lino à ge.tv.

Samuel Lino comemora seu gol contra o São Paulo - Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Samuel Lino comemora seu gol contra o São Paulo – Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

“Mas, cara, comentei com um amigo outro dia: estou me acostumando, já entendi, o brasileiro é assim. Eles querem cobrar, querem ganhar, e está tudo bem. Eu continuo trabalhando, minha cabeça está tranquila e eu sei que tudo é um processo.”

O atacante, que custou R$ 195,1 milhões, a contratação mais cara da história do Flamengo, afirmou que encara o momento com serenidade:

“Se amanhã eu voltar a jogar mal, também vão falar de mim. É um processo. Acabei de chegar. Há três meses e meio eu estava em outro clube jogando outro campeonato. Quero aproveitar o momento. Não tem pressão nenhuma. É um privilégio estar aqui.”

Um ataque em busca de soluções

Enquanto Pedro se recupera e Lino tenta retomar a confiança, Filipe Luís encara o desafio de reencontrar o equilíbrio ofensivo do Flamengo. A equipe segue na briga pelo título brasileiro com o Palmeiras, mas o desempenho recente dos atacantes preocupa.

Com apenas 39% dos gols saindo do setor ofensivo, o Flamengo aposta no retorno de seu artilheiro e na retomada da eficiência dos demais jogadores para seguir vivo na disputa. Até lá, Arrascaeta continua sendo o ponto de equilíbrio entre criação e conclusão — e o principal motor de um ataque que ainda busca reencontrar sua força.

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