Arrascaeta comemora gol contra o Cruz Azul, no Intercontinental - Foto: Adriano Fontes/Flamengo

Arrascaeta decide e Flamengo mantém vivo o sonho do bi mundial

Em noite de retomada e brilho do camisa 10, Flamengo supera atuação irregular, vence o Cruz Azul e reforça a grandeza histórica de Arrascaeta no clube

A classificação do Flamengo para a semifinal da Copa Intercontinental, após a vitória por 2 a 1 sobre o Cruz Azul, no Catar, não foi apenas um passo necessário rumo ao sonho do bicampeonato mundial. Foi, sobretudo, mais um capítulo de grandeza, decisão e legado de Giorgian De Arrascaeta, protagonista absoluto da noite com os dois gols que mudaram o rumo da partida — e reforçaram sua condição de ídolo histórico rubro-negro.

Apesar do resultado positivo, o jogo apresentou duas versões muito distintas do Flamengo. Uma primeira etapa apática, lenta e com dificuldades de construção; e um segundo tempo com cara de campeão, intensidade elevada e pleno controle da partida. Entre essas duas faces, um ponto em comum: foi Arrascaeta quem evitou que a oscilação custasse caro, aproveitando erros mexicanos, decidindo com frieza e conduzindo o time à vitória.

Flamengo vence o Cruz Azul e conquista o Derby das Américas, no Intercontinental - Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Flamengo vence o Cruz Azul e conquista o Derby das Américas, no Intercontinental – Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Primeiro tempo lento, erros defensivos e um Flamengo irreconhecível

No Ahmad bin Ali Stadium, diante de pouco mais de 7 mil torcedores, o Flamengo começou a partida com uma postura incomum para o padrão recente. Reativo, oscilante e desentrosado, a equipe teve dificuldade para controlar a posse de bola e sofreu com a intensidade do Cruz Azul, que pressionou alto e explorou falhas individuais do setor defensivo.

O gol rubro-negro saiu em um lance isolado: erro gritante de Piovi, recuperado por Arrascaeta, que driblou o goleiro e abriu o placar com categoria. Mesmo com o 1 a 0, o Flamengo não conseguiu se impor. Bruno Henrique criou algumas boas jogadas, mas a equipe seguiu vacilante no tempo de bola, na transição defensiva e, principalmente, na recomposição.

O castigo veio aos 44 minutos, quando Rotondi aproveitou bobeada de Pulgar e Varela, a defesa afastou mal e Jorge Sánchez empatou com um belo chute. Antes disso, os mexicanos já haviam balançado a rede em lance anulado por impedimento. O Rubro-Negro desceu ao intervalo pressionado e com a sensação clara de que precisava mudar a postura urgentemente.

Mexidas de Filipe Luís retomam intensidade de um time multi campeão

O intervalo marcou o divisor de águas da partida. Filipe Luís retornou com Plata no lugar de Lino, reorganizou o ataque e deu mais velocidade e profundidade ao time. A resposta foi imediata: o Flamengo ganhou volume, passou a controlar o meio-campo e sufocou o Cruz Azul, que já demonstrava desgaste após o esforço inicial.

Cebolinha, entrando no lugar de Carrascal, manteve o ritmo e participou ativamente da jogada que culminou no segundo gol. Aos 26 do segundo tempo, após tabelas rápidas, Arrascaeta recebeu com espaço e, com a frieza típica dos craques, tocou por cobertura. Piovi ainda tentou salvar, mas a bola já havia cruzado a linha — mais um gol decisivo em noite de domínio do uruguaio.

Após reassumir a vantagem, o Flamengo controlou o jogo com segurança. Filipe Luís rodou o elenco, dando minutos a De la Cruz, Luiz Araújo e Saúl. Houve chances de ampliar, como a cabeçada de Léo Ortiz salva em cima da linha. No fim, Rossi ainda fez boa defesa em chute de Piovi, confirmando o placar e destacando a principal lição deixada: o time precisa atuar com atenção e intensidade do início ao fim para seguir vivo no torneio.

Arrascaeta faz seu segundo gol na vitória do Flamengo contra o Cruz Azul pelo Intercontinental - Foto: Adriano Fontes/Flamengo
Arrascaeta faz seu segundo gol na vitória do Flamengo contra o Cruz Azul pelo Intercontinental – Foto: Adriano Fontes/Flamengo

Arrascaeta: uma idolatria incontestável

Se o Flamengo oscilou, Arrascaeta não. E a vitória no Catar consolidou ainda mais a fase extraordinária do camisa 10. O uruguaio, que vive o melhor momento físico e técnico da carreira, chegou a quatro gols em Mundiais, igualando Pedro como maior artilheiro rubro-negro em competições intercontinentais.

A performance ganha ainda mais simbolismo pelo contexto: entre a conquista de dois títulos, o nascimento do filho Milano e a longa viagem ao Catar, o meia vive dias de emoção e responsabilidade. 

“Conquistas, nascimento do meu filho, saúde. Não posso querer mais nada”, disse ele após o jogo.

Arrascaeta comemora gol contra o Cruz azul e homenageia seu filho, Milano - Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Arrascaeta comemora gol contra o Cruz azul e homenageia seu filho, Milano – Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Com 98 gols e 107 assistências pelo Flamengo, além de 17 títulos desde 2019, Arrascaeta renovou contrato até 2028 — podendo estender até 2029 — e colecionou em 2025 os prêmios de melhor jogador da Libertadores e Craque do Brasileirão. Contra o Cruz Azul, mais uma vez foi eleito o melhor em campo.

O Flamengo volta a campo no sábado, às 14h (de Brasília), contra o Pyramids, em busca de um lugar na final contra o PSG. Se repetir o segundo tempo que apresentou em Doha — e se Arrascaeta mantiver o nível de decisão que o transformou em um dos maiores ídolos da história rubro-negra — o sonho do bicampeonato mundial seguirá mais vivo do que nunca.

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